ERA UMA VEZ UMA RUA

A Rua Direita já foi a principal artéria comercial da cidade de Viseu, em Portugal.

 

Nela se desenrolavam os muitos ofícios que alberga uma metrópole rodeada de campo, nela se ouviam as vozes e os hábitos quotidianos de quem fazia e visitava o comércio. Lentamente, previsivelmente, a Rua Direita foi despojada do som e da gente, da actividade diária que a fez rainha entre as calçadas de Viseu.

 

Os edifícios vazios, muitos, têm ainda por vizinhas algumas instituições antigas onde se repete o saudável ritual da convivência. Por vezes, em ocasiões especiais, entram pelas casas desabitadas os viajantes e os artistas – povos estrangeiros ao ritmo lento da cidade que com um entusiasmo quase inocente, emprestam à Rua o que antes fora seu, por direito.

A RUA, OS OFÍCIOS & AS MEMÓRIAS

Logo no início da Rua Direita, à esquerda de quem chega da Praça do Município, existe uma Ourivesaria muito antiga onde ainda se queima o metal, o tempo da conversa, as memórias das ferramentas e das mesas.

A Rua Direita é uma história verídica baseada em ideias fictícias. Aconteceu no Verão de 2013, integrada no festival Jardins Efémeros, que todos os anos coloca a cidade de Viseu no centro do panorama cultural e artístico.

A vivência das pessoas que habitaram e ainda se lembram da Rua viva foram essenciais para a elaboração de uma visão idealizada, imaginada, do que foi esse outro tempo e do que ele pode oferecer à construção do que se segue. O silêncio da Rua Direita não será longo. As histórias por contar prometem irromper – mesmo que intermitentes – por entre os espaços vazios da memória de uma cidade.

Fim